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IA generativa e o trabalho bancário: o que aponta o novo estudo da OIT

Em março de 2026, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um estudo que analisa como a inteligência artificial generativa pode afetar o mercado de trabalho em 135 países. A pesquisa, conduzida em parceria com o Banco Mundial, examina quais ocupações estão mais expostas à tecnologia e como esse impacto se distribui entre economias avançadas e em desenvolvimento.

Entre os achados, um merece atenção de quem atua no sistema financeiro: funções administrativas e de apoio, típicas do setor bancário, figuram entre as mais expostas à IA generativa.

Uma onda de automação diferente das anteriores

Historicamente, as revoluções tecnológicas no trabalho atingiram com mais força atividades manuais e operacionais: linhas de produção, tarefas repetitivas de fábrica, funções de média qualificação. A IA generativa inverte essa lógica.

O estudo da OIT mostra que a tecnologia tem capacidade distintiva de impactar o trabalho cognitivo e de escritório. Redigir textos, analisar informações padronizadas, elaborar relatórios, organizar documentos, atender e triar demandas de clientes, tarefas que, até recentemente, pareciam protegidas por exigirem raciocínio e linguagem passam a figurar entre as mais suscetíveis à automação.

Por que o setor bancário aparece em destaque

A pesquisa identifica Serviços Financeiros e Empresariais como um dos setores com maior exposição à IA generativa em todos os grupos de países analisados. O motivo é estrutural: o trabalho bancário envolve, em grande medida, tarefas que a tecnologia consegue processar com eficiência, como atendimento inicial, análise de operações padronizadas, redação de documentos-modelo e processamento de informações repetitivas.

Entre as categorias ocupacionais mais expostas, o estudo destaca trabalhadores de apoio administrativo, classificação que abrange escriturários, caixas, analistas de apoio e assistentes bancários.

Automação não é o único cenário

Um ponto central do estudo é a distinção entre dois efeitos distintos da IA generativa:

Automação refere-se a funções em que a tecnologia pode substituir tarefas inteiras do trabalho humano. Nessas ocupações, o risco de deslocamento é maior.

Aumento refere-se a funções em que a tecnologia apoia o trabalhador e amplia sua capacidade, mas o núcleo humano da função permanece. Nessas ocupações, o efeito tende a ser de transformação, não de substituição.

Parte das funções bancárias se enquadra no primeiro grupo, especialmente aquelas com maior padronização. Outra parte se enquadra no segundo, funções que exigem análise contextual, relacionamento com cliente e decisão sob incerteza.

A diferença prática é relevante. Em um cenário, o trabalhador tende a ser realocado, reduzido ou dispensado. No outro, sua rotina muda, as metas são recalibradas e novas competências passam a ser exigidas e muitas vezes sem contrapartida formal.

Um mapa, não um prognóstico

O estudo da OIT é uma análise técnica de exposição não é um diagnóstico de demissões em curso nem uma previsão determinista. O que ele oferece é um mapa: quais ocupações, por sua composição de tarefas, estão mais suscetíveis a mudanças nos próximos anos.

Para o trabalhador bancário, esse mapa merece acompanhamento. Nos próximos artigos desta série, vamos tratar de dois pontos específicos: quem tende a ser mais afetado dentro das funções expostas e o que essa transição tecnológica representa para temas clássicos do direito do trabalho bancário.

Referência: Gmyrek, P.; Viollaz, M.; Winkler, H. Disruption without Dividend? How the Digital Divide and Task Differences Split GenAI’s Global Impact. ILO Working Paper 166. Genebra: International Labour Office, 2026.

 

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